segunda-feira, 27 de maio de 2013

A "coisificação" das pessoas e das relações humanas.

Movimento feminista tem papel importante para mobilizar críticas e ações sobre a postura do patriarcado em relação ao tráfico e prostituição de mulheres. Vulnerabilidade econômica do sexo feminino está no cerne do tráfico de gênero, analisa Nalu Faria

Ricardo Machado

A sociedade de mercado rouba sonhos e cria ilusões. “Constrói essa ideia que terá acesso a uma experiência a partir do que consome. O consumo está o tempo todo associado à felicidade, ou que a pessoa é aquilo que consome. Ter passa a ser algo muito importante. Isso como parte de uma coisificação das pessoas e das relações humanas”, considera Nalu Faria, psicóloga e coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista – SOF, www.sof.org.br, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. Na avaliação de Nalu, a estrutura social que coloca as mulheres como principais vítimas do tráfico humano está relacionada a “vulnerabilidade econômica das mulheres, depois a identidade e subjetividade feminina, como românticas, idealistas, voltadas para acreditar em sonhos como dos príncipes encantados, hoje travestidos de ofertas milagrosas de trabalho, ou de princesas em pele de modelos.
Nalu Faria é psicóloga e especialista em Psicodrama Pedagógico pelo Grupo de Estudos e Trabalhos Psicodrámaticos, e especialista em Psicologia Institucional pela Sedes Sapientiae.  Atua nos movimentos que lutam pelos direitos das mulheres no Brasil, tais como a violência doméstica, equiparação salarial, luta contra o machismo e o direito ao aborto. É autora, entre outros artigos, de O feminimismo latino-americano e caribenho: perspectivas diante do neoliberalismo (São Paulo: Livre Mercado para o Feminismo, 2005). No site da SOF, entidade que coordena, há diversos cadernos e artigos sobre a questão da luta das mulheres para download .
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Que diferenças existem entre tráfico sexual e turismo sexual?
Nalu Faria – No caso do tráfico em geral, é mais explícita a relação com escravidão e/ou da enorme quantidade de dinheiro que as mulheres têm que pagar. Por outro lado, há situações de turismo sexual relacionada ao tráfico. Em geral, o turismo sexual usa a fragilidade de mulheres muito jovens para envolvê-las nesta atividade, sem significar retirá-las da família ou de seu lugar de moradia.
IHU On-Line – Que modelos de práticas sustentam a ideia liberal de direito de que a escolha de um trabalho de prostituição é voluntária?
Nalu Faria – Uma das estratégias é tratar a prostituição como outro serviço qualquer, ou que se as mulheres quisessem poderiam trabalhar em outra coisa. Isso hoje é reforçado por estarmos em uma sociedade onde o tabu da virgindade já não é tão forte. Mas essa visão oculta que há uma instituição da prostituição, que são vários os mecanismos que levam as mulheres à prostituição, que as mulheres prostituídas geralmente possuem uma forte baixa-estima, que não conseguem se imaginar em outra situação. Outras vezes há a pressão por ganhar mais dinheiro que os pequenos salários que conseguem com outro emprego, ocasião à qual muitas vezes os parceiros amorosos as obrigam. Mas há um elemento fundamental e que tem sido considerado: a maioria das mulheres chegam à prostituição quase meninas e, quando completam 18 anos, elas já têm sua vida, sua identidade, sua subjetividade muito marcada por essa experiência.
IHU On-Line – Que subjetividades são construídas em uma sociedade marcada pelo livre mercado e pelo consumo?
Nalu Faria – Essa sociedade de mercado rouba os sonhos e cria ilusões. Constrói essa ideia que terá acesso a uma experiência a partir do que consome. O consumo está o tempo todo associado à felicidade, ou que a pessoa é aquilo que consome. Ter passa a ser algo muito importante. Isso como parte de uma coisificação das pessoas e das relações humanas.
IHU On-Line – Como a divisão internacional do trabalho está relacionada ao tráfico de pessoas? 
Nalu Faria – Um elemento fundamental para compreender essa dimensão é a indústria do entretenimento como parte de uma sociedade focada cada vez mais na competitividade, no individualismo. Portanto, da diminuição de relações pessoais baseadas em vínculos, reciprocidade. Além do mais, por uma escassez de mulheres do Norte para as atividades vinculadas a essa indústria do entretenimento, muito centrada na prostituição. Daí a necessidade de traficar mulheres. Além disso, os traficantes de mulheres chegam a dizer que é uma ótima mercadoria, pois pode ser vendida muitas vezes.
IHU On-Line – Que papel a América Latina e o Brasil, mais especificamente, cumprem na divisão internacional do trabalho?
Nalu Faria – No período de implantação da globalização neoliberal, falamos de uma nova divisão internacional do trabalho, baseada nessa migração massiva para realizarem as tarefas mais desvalorizadas no Norte. Por outro lado, pelo tipo de produção a que se dedicou a região, tanto de reprimarização da economia quanto do tipo de produção voltada para exportação. Por exemplo, as maquilas no México e América Central, as flores na Colômbia, frutas e peixe no Chile, soja no Cone Sul, etc.
IHU On-Line – Qual a estrutura nesse contexto social que implica que as mulheres sejam as principais vítimas do tráfico humano?
Nalu Faria – Primeiro, a vulnerabilidade econômica das mulheres; depois a identidade e a subjetividade femininas, como românticas, idealistas, voltadas para acreditar em sonhos como os de príncipes encantados, hoje travestidos de ofertas milagrosas de trabalho, ou de princesas em pele de modelos.
IHU On-Line – Qual o papel dos movimentos feministas no combate à exploração e ao tráfico de mulheres?
Nalu Faria – Temos que intensificar a mobilização a críticas e ações de como o patriarcado tem se organizado e essa imbricação com o mercado. Precisamos reforçar muito o debate sobre a autonomia das mulheres e a compreensão sobre os mecanismos patriarcais. Ao mesmo tempo, temos que massificar e enraizar nosso movimento. É necessário construir alianças com outros movimentos para que essa pauta não esteja restrita ao movimento de mulheres.
IHU On-Line – Qual é a responsabilidade do Estado nesse processo?
Nalu Faria – O trafico se dá por máfias. Então há que se ter uma investigação permanente. Ao mesmo tempo, há que se implementar um amplo trabalho educativo, em particular nas escolas. Por fim, realizar amplos debates públicos, assim como coibir o sexismo nos meios de comunicação, nas manifestações culturais, etc. Ou seja, atuar de forma enérgica contra a coisificação e a mercantilizaçao das mulheres.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Juventudes e violência.


“A maior parte das gangues nasce
 nos colégios”, afirma antropólogo.

Mauro Cerbino é doutor em Antropologia Urbana pela Universitat Rovira i Virgili. Coordena o Programa de Estudos Internacionais e Comunicação, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais – Equador, e dirige a revistaIconos, que a própria faculdade edita. Há anos, pesquisa assuntos sobre organizações juvenis de rua, juventudes e violência. Como diretor do Observatório dos Meios de Comunicação, além do discurso informativo que se constrói sobre este fenômeno, estuda a relação entre governos e meios de comunicação e, neste marco, a midiatização da política.
Fonte: http://goo.gl/xB0As
Sua pesquisa se configurou nos cursos e seminários conferidos em diversas universidades da América Latina e Europa e em numerosos livros e artigos como “El lugar de la violência” (Taurus-Flacso), “Más allá de las pandillas, violencias, juventudes y resistencias en un mundo globalizado” (Flacso) e “Jóvenes en la calle, cultura y conflicto” (Anthropos), entre outros.
   
É italiano, mas desenvolveu sua principal trajetória acadêmica noEquador. Aí, dedicou-se a pesquisar a origem das gangues juvenis, as motivações para a sua formação e as relações que estabelecem com o Estado. Aqui, esmiúça suas conclusões e adverte sobre o papel dos meios de comunicação.
A entrevista é de Natalia Aruguete, publicada no jornal Página/12, 20-05-2013. A tradução é do Cepat.
Eis a entrevista.
O que representa o lugar da gangue para jovens que estão desprovidos de todos os tipos de direitos?
Onde existe, a gangue representa – para alguns jovens – um modo de vida, um modo de existência e reprodução social. Além disso, é uma forma de se proteger de uma insegurança que é prévia a estas organizações. Essa insegurança se deve ao fato de que alguns bairros não são aptos para a vida, porque foram abandonados pelo mundo adulto, que decidiu ter um projeto de vida que não leva em conta a construção do laço social, mas se conforma a viver fechado – tanto no lar, como no trabalho – ou, inclusive, a levantar grades na precária construção de seu lar, com o desejo de ter a sensação de estar seguro. Nesses bairros “dormitório” é muito difícil que a vida social seja possível: não há pessoas nas ruas porque o bairro não tem lugares para a diversão, o espairecimento, a reprodução social. E os jovens e adolescentes precisam de maiores condições de sociabilidade, desse trânsito pelo espaço público, uma vida social mais ampla do que aquela que os adultos gostariam de ter. Em muitas cidades latino-americanas, os jovens buscam um modo para se apropriar – ou reapropriar-se antropologicamente – destes espaços.
Você estabelece uma relação entre o imperativo da violência e o respeito. Que significado tem o respeito, em uma organização violenta?
O respeito é o que estrutura as relações, principalmente, as relações intra e inter gangue. É homem de respeito aquele que se faz respeitar por aquele que está fora da gangue, em outra gangue, ou por outros jovens que podem estar ao redor. Fazer-se respeitar supõe que o outro tenha medo de você, que entenda e possa baixar a cabeça quando um jovem passa por aí. Será uma pessoa de respeito aquele que conseguir causar medo nos outros. É uma dinâmica de olhares para baixo, de submissão, de interiorização, de superioridade de um para com o outro. Estas questões, que saem dos relatos dos garotos, surgem da falta de condições que permitam a reprodução social. A condição de respeito substitui estes vazios, porque constrói o reconhecimento. É o oposto ao respeito da forma como o concebemos, a partir da educação cívica.
É o oposto porque a única possibilidade de respeito passa pela violência?
E pelo medo. O respeito é um dos elementos presentes na modernidade, uma condição que permite que nos reconheçamos e possamos estar juntos. Neste caso, baseia-se no medo e não porque seja experimentada a necessidade de que para estar juntos precisamos nos respeitar. São sujeitos que sofreram uma falta de respeito.
Ao analisar as gangues juvenis, por que você inclui uma “dimensão coletiva da violência”?
É uma dinâmica que se estabelece num horizonte de destinos de masculinidade hegemônica, outro elemento do horizonte simbólico discursivo que dá sentido à ação da gangue, junto com o respeito. Esse horizonte da masculinidade hegemônica é o que os adolescentes e jovens, sobretudo de certos setores populares, vão aprendendo em suas famílias e no colégio, assim como em outros espaços onde permanentemente estão expostos. Para ser homem é preciso ser homens de respeito. Torna-se homem a partir do momento em que se inferioriza o outro. A masculinidade é um discurso potentíssimo, que não apenas tem a ver com a questão do varão, mas que sustenta uma concepção das relações sociais. Nós a chamamos de hegemônica porque está presente em muitos estratos.
E a mulher?
A mulher fica subsumida, comporta-se de modo semelhante, embora com uma contradição, porque é um sujeito portador de outra dimensão sexual e, portanto, muitas vezes, as mulheres são objeto de estupro, de alguma forma tolerado. Entretanto, ao mesmo tempo, as mulheres se comportam como os homens: podem ser protagonistas das mesmas cenas de violência das quais os homens são portadores ou protagonistas. Por terem que se afirmar como parte da gangue, elas se comportam de modo semelhante aos homens. Aí há outro aspecto sexual que é bastante sórdido.
Qual?
Há estupros; as mulheres são mulheres do líder..., situações deste tipo. Porém, as mulheres reproduzem o mesmo discurso que os varões, que, além disso, é sustentado pelas mães. Lembro que a mãe de um dos garotos me disse: “Eu estranhei muito quando me disseram que meu filho era dos... porque ele não sabe brigar”. Essa ideia da necessidade de saber brigar provém da mãe e não somente do pai.
Que análise você faz a respeito da lógica das políticas públicas, do papel do Estado, frente à violência juvenil?
Em primeiro lugar, não há política pública de juventude, ao menos no Equador. E não houve política pública de jovens migrantes na Espanha. No caso da Espanha, sob a raiz de uma norma de reagrupação familiar, os adolescentes e os jovens do Equador iam se reagrupar com seus pais, e isso era tudo em termos de marco normativo. Há normas que facilitam que as famílias se reagrupem, mas, em seguida, o Estado é incapaz de pensar o que fazer com estes jovens. Pode oferecer-lhes uma possibilidade de entrar no colégio, mas, ali, encontram uma montanha de problemas e discriminações. Não há uma política de integração.
Quais consequências, essa ausência de política de integração, acarretam?
O prevalecimento das relações cara a cara, altamente discriminatórias. A reprodução de todo tipo de discriminação e humilhação. Portanto, muitos destes jovens – também na Espanha, onde se esperaria que estivessem em outras condições – talvez, estejam nas mesmas ou piores condições que deixaram no Equador. E quando sabem que existe uma organização que se reúne, que fala o mesmo idioma e que, além disso, fala forte, não fala “suavezinho”...
O que significa “não falar ‘suavezinho’”?
Significa que não fala submisso como a mãe, que já assumiu a inferioridade porque tem um projeto de vida diferente, uma estratégia de vida diferente que a permite processar a submissão. Eles não têm um projeto de vida, já que muitas vezes foram se agrupando sem ter o desejo de concebê-lo. Nesses espaços, encontram novamente a reprodução, a proteção, o sentido da vida, o gozo, a diversão.
Na relação gangues-Estado, como você percebe a responsabilidade legal que o Estado deposita nestes jovens e adolescentes?
Retomo a ideia de que não há uma política pública. No Equador, há uma lei de juventude, mas nunca se efetivou regulamentos e dispositivos para a sua aplicação. Portanto, não há uma política pública para a prevenção de um fenômeno como este. O que o Estado faz para prevenir o bullying? (N. do R: o bullying é um ato de conduta agressiva para, deliberadamente, causar dano a outra pessoa, de maneira física ou psicológica.) É uma coisa absurda em nossos colégios, há jovens que cometeram suicídio em razão de reiterados assédios ou linchamentos. Aquele que aguenta é o jovem que não quer entrar na dinâmica do mais forte, estando à margem disso, converte-se no objeto daqueles que sempre almejam ser os mais fortes, que necessitam identificar alguém como frágil. E o que o Estado faz? A maior parte das gangues, no Equador ou em outras partes do mundo, nasce nos colégios. O sistema educativo não apenas é incapaz de gerar condições para uma maior circulação, uma melhor articulação da população, como também se transforma no oposto: faz com que os jovens se sintam continuamente humilhados, muitas vezes, o professor contribui para isso.
Como?
No Equador, nós temos vários exemplos de professores que abonam esse horizonte de masculinidade hegemônica. Não há uma política pública, exceto normativa repressiva, uma ação policial e punitiva terrível... A inconsistência do Estado de bem-estar, muitas vezes, vem compensada pela condição abusiva da polícia, que é a única cara visível de um Estado inconsistente. Estes jovens populares se sentem atraídos em ser policiais, porque isso faria com que se mostrassem fortes, porém, por sua vez, borram-se de medo diante da polícia: possuem esse amor-ódio. Eu poderia contar histórias dos mais obstinados líderes que me chamavam, à noite, para que lhes dessem uma mão, pois um policial estava levando-os. Choravam como crianças.
Em seu livro “El lugar de la violencia”, você destaca que os meios de comunicação são “reprodutores de um discurso maior”. Que papel cumprem os meios de comunicação no relato deste tipo de violência? Acredita que “reprodutores” é a expressão mais adequada?
Claro que os meios de comunicação não são apenas reprodutores, também, são os que produzem o discurso maior, que pretende ser objetivo e inquestionável. Tanto na Espanha como no Equador, a única visão que o comum das pessoas leigas possui é a visão dos meios de comunicação... Os meios de comunicação se encarregam de representar simbolicamente e alimentar o imaginário dos cidadãos, fazendo o “trabalho sujo” por conta do Estado. (sorri). As violências grupais juvenis não podem ser assimiladas à violência criminal das gangues organizadas..., não, ao menos, em um primeiro momento, depois, algumas destas gangues podem se transformar em outra coisa, como ser capturadas por gangues organizadas, mas esse é outro fenômeno.
Insisto com a pergunta, os meios de comunicação apenas reproduzem esse discurso ou disputam poder simbólico com outros atores sociais?
Os meios de comunicação trabalham diretamente com a constituição da opinião pública, são alimentadores dos funcionários, aqueles que dão as chaves interpretativas da realidade. Encarregam-se de sustentar a tese de que estes grupos são os que se desviaram da norma... Encarregam-se de desresponsabilizar o Estado e dizer: “não, o que ocorre é que os jovens são assim, naturalmente violentos”. Essencializam a condição juvenil, e com isso poupam um grande trabalho ao Estado.

Como?
Eles conseguem fazer com que a opinião pública não veja o Estado como um dos maiores responsáveis, e também ao conjunto da sociedade, por não questioná-lo, por ser passiva frente a estes assuntos. Efetivamente, insensibilizam a opinião pública, já que por esse processo de naturalização parece óbvio que os jovens atuam do modo que atuam. Contribuem para invisibilizar as condições que tornam possível esse fenômeno. Não contextualizam, não historicizam, não fazem uma investigação com fontes primárias, mas recorrem ao “monofontismo” (usar uma única fonte de informação) da polícia, tribunais de justiça, atores que também fazem o trabalho sujo por conta do Estado.
O que é que os meios de comunicação encobrem, a partir de uma “notícia dramatizada” (onde há bons e maus, ganhadores e perdedores, como num conto), quando fazem a cobertura deste tipo de fenômeno?
Cobrem com a objetividade dos fatos... Isso não existe. E encobrem as condições de possibilidade da existência deste fenômeno. Tornam os jovens os únicos responsáveis de sua ação, quando evidentemente a responsabilidade é, no mínimo, compartilhada. Além disso, contribuem – e isso é o pior – para piorar as coisas, pois apresentam estes como sujeitos descartáveis.
Em seu livro, você sustenta que os meios de comunicação “não possuem agenda própria” e relacionou isto com a perspectiva daqueles especialistas que olham os meios de comunicação como “atores políticos”. No contexto atual, latino-americano, onde se nota uma relação conflitiva entre meios de comunicação e governos, como se constrói essa agenda sobre a violência juvenil, a partir dos meios de comunicação que já não se aliam tão claramente com a palavra do Estado?
Agora que você apresenta isso, ocorre-me pensar que, há mais de cinco anos, os meios de comunicação no Equador já não se ocupam deste fenômeno. Ou o fenômeno desapareceu ou perdeu o interesse, pois os meios de comunicação já não possuem no Estado, nem no governo, uma fonte para fazer o trabalho sujo.
No entanto, dependem exclusivamente dessa fonte para fazer o “trabalho sujo”?
Sim, porque dependem da polícia. Em Madri, tive uma contenda com um repórter do jornal El País porque ele queria se desresponsabilizar do que esse jornal tinha escrito sobre os Latin Kings, dizendo que no fundo eles apenas reproduziam a polícia e que, em última instância, o problema estava na fonte. Você se dá conta da barbaridade que ele dizia? Um jornalista pode afirmar que o problema está na fonte e não nele? A primeira coisa que me ocorre lhe dizer é: “muda de fonte”, “diversifica”. Havia um policial que lhe disse: “Eu sou fonte, mas você está escrevendo a nota”. Foi uma cena emblemática. Às vezes, os meios de comunicação servem para sustentar algum interesse da parte de um partido político, que aproveita essa representação midiática da violência juvenil para justificar a “necessidade” de uma ação repressiva. No Equador, existe uma discussão sobre a redução da maioridade penal para os 16 anos. Precisam preparar a opinião pública para assimilá-la e, em seguida, justificar certo tipo de legislação, o aumento de guardas particulares.
Por que estudar os Latin Kings? Que traços os faziam interessantes para você?
Que pergunta boa! Esta organização nasceu nos anos 1940, em Chicago, formada por imigrantes, principalmente, porto-riquenhos, cubanos e mexicanos. A partir dos anos 1980, começam a se definir como uma nação. Essa definição de nação sempre me atraiu muito.
Por quê?
Após refletir muito, comecei a ver que efetivamente era uma organização, que possuía tal envergadura na quantidade de membros e que ia configurando uma nação dentro de outra, uma nação no lugar de outra. Isto é o que (Erving)Goffman maravilhosamente define como a transformação do estigma em emblema, quando fala da carreira do criminoso. Estes grupos são objetos de constante humilhação e estigmatização. São tidos como pessoas desadaptadas e é provável que acabem realizando isto do modo mais espetacular possível. É como se dissessem: “Se o outro me condena a ser criminoso, serei o melhor criminoso possível”. Então, o estigma de ser latinos se converte no emblema de ser latinos, mas, reis. Há coroas e há superioridades e beneficência. Essa coisa da nação me chamava muito a atenção, pois todas as gangues possuem um nome, mas eles se chamavam nação.
Quais elementos faziam deles uma nação?
Eles têm uma Constituição, e possuem elementos que criam uma nação, talvez, não o idioma, mas, sim, uma regra, um vocabulário... Dois reis que não se conhecem, reconhecem-se pelo modo como atuam ou por um gesto que os tornam reconhecidos. Eu estive muito perto deles. Uma vez, em Madri, ao final de uma conversa e vendo que compartilhávamos alguns saberes, esse garoto me perguntou: “Mas, você que chapa tem? Que King é?”. É claro que eu não tenho nenhuma (chapa), mas sabia muito em razão da minha pesquisa. Contudo, eles se reconhecem, possuem um universo simbólico compartilhado, algo que tem a ver com o linguístico, o gestual. Compartilham minimamente um território que se translocaliza. Outro elemento que me atraia muito é o caráter transnacional: são uma nação, mas são transnacionais. Eles dizem que começa a existir a nação quando se coloca a bandeira. Eles têm o ato de constituição da nação no lugar em que se coloca a bandeira. Terão esta data para recordá-la, da mesma forma como são recordados os acontecimentos que fundam a nação. Era tão potente essa nação, com umaConstituição, manifestos, propósitos e leis, que era capaz de se refundar cada vez que fosse necessário. Não eram as pequenas gangues de 20 ou 25 pessoas, como as estudadas há muitos anos. Há pessoas que hoje possuem 40 anos e continuam sendo Latin King... porque eles dizem que um rei é para sempre, embora já não sejam um King

PAZ E JUVENTUDE !


Arsenal da Esperança convida os jovens a praticar a paz

Data e horário: 
quarta-feira, 22 Maio 2013 - 13:13
Créditos: 
Redação com Arsenal da Esperança
Paz? Por que falar de paz? Há guerras no Brasil? Na cidade há milhares de pessoas sem casa, milhares de imigrantes procurando uma nova vida, milhares de jovens, de todas as classes sociais, que caem no tédio e na droga. Pode estar em paz uma cidade assim? E o que eu tenho a ver com isso?
Foi dessa forma, com esses questionamentos, que no sábado, 18, no Arsenal da Esperança, começou a 4ª edição do “Conta Comigo”, encontro anual com a juventude promovido pela Fraternidade da Esperança, que neste ano tinha como tema: “Quero a paz, não só para mim”.
Na primeira parte do encontro, foram projetadas algumas imagens daquilo que podemos observar, todo dia, percorrendo as ruas da cidade. A sequência terminou com uma foto reproduzindo uma rua em que três moças caminham em direção a uma faculdade e, ao lado delas, estão outros jovens, deitados na calçada. Uma imagem difícil, que carrega toda a complexidade de uma realidade que pode ser debatida e interpretada de mil maneiras, acarretando críticas, divisões, reclamações. Em preparação ao evento, um grupo de acolhidos do Arsenal construiu um cenário reproduzindo exatamente a rua daquela foto. Literalmente, trouxeram aquela rua para dentro do encontro.
Os mais de 300 jovens presentes, estudantes de 20 escolas de São Paulo e da região metropolitana, não ouviram a análise de um especialista e nem o testemunho das partes, simplesmente foram recebidos naquele cenário e convidados a se sentar no chão. Ao lado deles, as pessoas que todo dia cruzam o seu caminho e que frequentemente são ignorados: homens em situação de rua, imigrantes da África e do Haiti, jovens à procura de uma nova vida, distantes da droga e de outros vícios. Naquela rua, feita de papelão, essas pessoas foram aos poucos se levantando e, passando no meio dos jovens, caminharam em direção a uma porta aberta, acolhedora, no fundo do salão.
Logo em seguida, os próprios jovens foram convidados a se levantarem e a atravessarem aquela mesma porta para entrar no coração das atividades cotidianas do Arsenal, uma casa feita por pessoas que todo dia oferecem uma acolhida digna para outras pessoas, uma comunidade aberta para receber quem está sem casa, sem pátria, sem rumo, uma comunidade que começou a fazer tudo isso solicitada por um jovem que, um dia, num encontro sobre a paz, apontou o dedo para o nosso fundador e disse: “Onde você vai dormir nesta noite? Você sabe que eu e meus amigos dormimos na rua? Você que fala de paz dormirá num lugar quentinho, mas quem é que se preocupa conosco?”.  
Leia e saiba mais sobre o Arsenal em www.arsenaldaesperanca.org.br

(Fonte: arquidiocesedesaopaulo.org.br)

terça-feira, 21 de maio de 2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fotos e reunião de preparação para a Semana Missionária - JMJ - Rio 2013.

Fala, pessoal !

Neste último domingo, 19/05/13, estivemos novamente reunidos para a preparação da Semana Missionária da Paróquia Sto. Alberto Magno, no Butantã, são Paulo/SP.

Estamos finalizando o roteiro dos dias em que acolheremos os 50 jovens esperados na nossa paróquia.

Dessa vez, a reunião contou com a participação do nosso pároco, o Pe. Celso.

Abraços a todos e fiquem com DEUS !

Vinicius.







Oficina de inclusão para jovens - Técnicas de Eventos.


Ato inter religioso contra a redução da maioridade penal.

REJU-SP: “A Juventude quer viver...”
Ato inter-religioso contra a redução da maioridade penal

Dia: 29 de maio (quarta-feira)
Horário: 19h30
Local: Praça Roosevelt - Consolação (São Paulo)

Organização: Agostinianos (Vicariato da Consolação); Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI); Fundação Luterana de Diaconia (FLD); KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço; Movimento 18 Razões; Pastoral Carcerária; Pastoral da Juventude; Rede Ecumênica da Juventude (REJU); Rede Fale; Revista Viração; Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS).
(Fonte: Rede Ecumênica da Juventude - facebook).





quinta-feira, 16 de maio de 2013

Papa Bento XVI "Jovem não tem medo de desafio..."


Papa: "Igreja precisa de zelo apostólico, não de cristãos de salão"



Papa: "Igreja precisa de zelo apostólico,

não de cristãos de salão"



2013-05-16 Rádio Vaticana
 Cidade do Vaticano (RV) - A Igreja precisa do fervor apostólico que nos sustenta no anúncio de Jesus: foi o que o Papa destacou em sua homilia da missa matinal, na Casa Santa Marta. Francisco também alertou para os “cristãos de salão”, aqueles que não têm coragem de agitar as coisas já “acomodadas”. A missa foi concelebrada pelo Cardeal Peter Turkson e Dom Mario Toso, Presidente e Secretário do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz.
Papa Francisco centralizou sua homilia no Apóstolo dos Gentios, aquele que passou a vida “de perseguição em perseguição”, sem nunca se desanimar: “Ele olhava ao Senhor e ia adiante”, disse.
“Paulo incomodava: com sua pregação, com seu trabalho e com o seu comportamento, porque anunciava Jesus. Mas o Senhor quer que nós sigamos adiante, que não nos refugiemos numa vida tranquila, em estruturas senis. Paulo continuava a anunciar, porque tinha em si a atitude cristã de zelo apostólico, sem ser um homem de compromisso”.
Prosseguindo, Francisco fez uma ressalva: “Zelo apostólico não é entusiasmo pelo poder, pelo ‘possuir’. É algo que vem de dentro, que o próprio Senhor quer de nós. O zelo apostólico provém do conhecimento de Jesus Cristo, do nosso encontro pessoal com ele”.
O zelo apostólico, disse ainda, “tem algo de louco, mas uma loucura espiritual, salutar". E Paulo tinha esta “loucura”.
Entretanto, na Igreja existem muitos cristãos “mornos”, que não querem se empenhar:
“Existem também os cristãos de salão, né?; aqueles educados, que não são filhos da Igreja com o anúncio e o fervor. Hoje, peçamos ao Espírito Santo que nos dê este fervor apostólico e a graça de incomodar as coisas que são tranquilas demais na Igreja; a graça de irmos às periferias existenciais não só nas terras distantes, mas aqui nas cidades, onde é necessário o anúncio de Jesus Cristo. E se perturbarmos, bendito seja o Senhor. Como disse o Senhor a Paulo: ‘coragem!’”.
(CM)

Desemprego atinge 73,4 milhões de jovens em todo o mundo.

Desemprego atinge 73,4 milhões de jovens em todo o mundo, diz OIT

Por  em 08/05/2013


Embora existam algumas diferenças regionais, a taxa de desemprego juvenil em nível mundial continua aumentando e está previsto que alcance 12,8 por cento em 2019, cancelando os progressos alcançados no começo do período de recuperação econômica.

Por trás da deterioração das cifras vislumbra-se um cenário ainda pior, que revela uma persistência do desemprego, uma proliferação de empregos temporários e um crescente desalento entre os jovens nas economias avançadas, e empregos de baixa qualidade, informais e de subsistência nos países em desenvolvimento.
Segundo o relatório Tendência Mundiais do Emprego Juvenil 2013 – Uma Geração em Perigoda OIT, prevê-se que cerca de 73,4 milhões de jovens – 12,6 por cento – estarão desempregados em 2013, perto dos níveis alcançados no pior momento da crise econômica em 2009. Esta cifra representa um incremento de 3,5 milhões entre 2007 e 2013.
As projeções anteriores havia estabelecido em 12,7 o número para 2012, mas com base em novos dados foi ajustada para 12,4. A tendência, no entanto, continua sendo ascendente.
“Estes números evidenciam a necessidade de enfocarmos em políticas que promovam o crescimento, a melhoria da educação e os sistemas de qualificação, além do emprego juvenil”, declarou José Manuel Salazar-Xirinachs, Subdiretor Geral de Políticas da OIT.

“Os empregadores, os educadores e os jovens costumam viver em universos paralelos sem interagir entre eles. Sabemos muito bem que é o que funciona, mas o impacto real e em grande escala somente é possível se atuamos juntos, de maneira colegiada”.
Em 2012, a taxa de desemprego juvenil mais alta foi registrada no Oriente Médio, onde 28,3 por cento dos jovens estavam desempregados, mais de um a cada quatro jovens economicamente ativos. Esta cifra, segundo as projeções atuais, poderia aumentar para até 30 por cento em 2018. O Norte da África também registra uma taxa de desemprego juvenil muito alta: 23,7 por cento em 2012.
As mulheres jovens nestas regiões são as mais afetadas, 42,6 por cento da força de trabalho feminina no Oriente Médio está sem trabalho. No Norte da África, é de 37 por cento.
Em nível mundial, as taxas mais baixas em 2012 foram registradas na Ásia Oriental (9,5 por cento) e Ásia Meridional (9,3 por cento).

Nas economias avançadas, a taxa de desemprego juvenil em 2012 foi de 18,1 por cento. É provável que permaneça acima de 17 por cento antes de 2016. Na Grécia e Espanha, mais da metade da população juvenil economicamente ativa está desempregada.
Muitos jovens abandonaram toda a busca por trabalho. Se forem incluídos nas cifras de desemprego, os jovens desempregados ou desalentados nas economias avançadas seriam 13 milhões, em comparação com 10,7 milhões que estavam oficialmente sem emprego em 2012.
As opções se restringem
Aqueles que encontram trabalho estão obrigados a ser menos exigente quanto ao tipo de emprego que exercem, incluindo trabalho em tempo parcial ou temporário, já que necessitam desesperadamente de renda.

“Os empregos seguros, que eram norma para as gerações anteriores – pelo menos nas economias avançadas – são menos acessíveis para os jovens de hoje. O crescimento do trabalho temporário ou a tempo parcial, em especial desde o ponto mais alto da crise, sugere que este tipo de trabalho é frequentemente a única opção para os trabalhadores jovens”, explicou Salazar-Xirinachs.
A proporção de jovens que não empregados pelo menos há seis meses também está aumentando. Nos países da OCDE, mais de uma terça parte dos jovens desempregados foram classificados como “desempregos por longo período” em 2011, em comparação com um quarto dos desempregados de 2008.
Isto é particularmente preocupante, indicou Salazar-Xirinachs: “As consequências a longo prazo da persistência do alto desemprego juvenil incluem a perda de experiência laboral valiosa e a erosão das capacidades profissionais. Além disso, para um jovem, experimentar o desemprego nos primeiros anos de carreira, pode ter consequências em seu salário e enfraquecer suas perspectivas de renda, ainda décadas mais tarde”.
Nas economias avançadas, o número de NEET – jovens que não trabalham nem estudam, conhecidos como ni-ni em países de língua hispânica – está aumentando e se situa em uma relação de um a seis. Estes jovens estão em perigo, o de serem excluídos do mercado laboral e social.
Os desajustes profissionais e a inadequação das qualificação, que também estão aumentando, colocam em perigo as políticas dirigidas a requalificar os trabalhadores através da colaboração com o setor privado. Os jovens mais vulneráveis ao desajuste profissional incluem, particularmente, as mulheres que já tenham sido desempregadas.
“É provável que estas consequências se agravem, enquanto mais se prolongue a crise do desemprego juvenil e acarretará um custo econômico e social – um aumento da pobreza e um crescimento mais lento – que superará amplamente o custo da inatividade”, assinalou Salazar-Xirinachs.

Ação específica
O relatório pede aos governos que empreendam ações imediatas e específicas destinadas a combater a crise do emprego juvenil. Também convocação à ação concertada entre as organizações de empregadores e de trabalhadores.

Destaca que não existe uma solução “única para todos”, mas assinala que as principais áreas políticas identificadas no Chamado à Ação da OIT, de junho de 2012, constituem um marco global que pode ser adaptado às circunstâncias nacionais e locais.
O informe exorta:
·         Favorecer um crescimento com alto coeficiente de emprego e a criação de trabalho decente através de políticas macroeconômicas, empregabilidade, políticas de mercado de trabalho e direitos dos jovens para enfrentar as consequências sociais da crise e ao mesmo tempo garantir a sustentabilidade financeira e orçamentária.
·         As medidas integrais dirigidas aos jovens desfavorecidos nas economias avançadas que registram altos níveis de desemprego juvenil. Estas dizem respeito à educação, à formação, à experiência laboral e aos incentivos à contratação de jovens para os potenciais empregadores.
·         As estratégias e os programas integrados em favor do emprego e dos meios de subsistência dos países em desenvolvimento, incluindo cursos de alfabetização, formação profissional e desenvolvimento da iniciativa empresarial e apoio às empresas.

Por Site OIT Brasi
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