Semana Nacional da Família de 11 á 17 de agosto
Tema “Transmissão e Educação da Fé Cristã na Familia"
Mensagem do Papa Francisco:
Vaticano, 6 de agosto de 2013
Queridas famílias brasileiras,
Guardando vivas no coração as alegrias que me foram proporcionadas durante a recente visita ao Brasil, me sinto feliz em saudá-las por ocasião da Semana Nacional da Família, cujo tema é “A transmissão e a educação da fé cristã na família”, encorajando os pais nessa nobre e exigente missão que possuem de ser os primeiros colaboradores de Deus na orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro. Para isso, “é importante que os pais cultivem as práticas comuns de fé na família, que acompanhem o amadurecimento de fé dos filhos” (Carta Enc. Lúmem Fidei, 53). Neste sentido, os pais são chamados a transmitir, tanto por palavras como, sobretudo pelas obras, as verdades fundamentais sobre a vida e o amor humano, que recebem uma nova luz da Revelação de Deus. De modo particular, diante da cultura do descartável, que relativiza o valor da vida humana, os pais são chamados a transmitir aos seus filhos a consciência de que esta deva sempre ser defendida, já desde o ventre materno, reconhecendo ali um dom de Deus e garantia do futuro da humanidade, mas também na atenção aos mais velhos, especialmente aos avós, que são a memória viva de um povo e transmissores da sabedoria da vida. Fazendo votos de que vocês, queridas famílias brasileiras, sejam o mais convincentes arautos da beleza do amor sustentado e alimentado pela fé e como penhor de graças do Alto, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, a todos concedo a Benção Apostólica.
Francisco
terça-feira, 13 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
A violência contra as mulheres nunca é aceitável, nunca é perdoável, nunca é tolerável
Publicação Mensal REDES
Agosto de 2013
“...
A violência contra as mulheres nunca é aceitável, nunca é perdoável, nunca é
tolerável”.(Ban Ki- Moon–
Secretário Geral da ONU)
Dentre as inúmeras datas significativas do mês de
agosto, uma delas tem maior importância para nós, mulheres brasileiras: o dia 7
de agosto. Há sete anos, nesse dia, foi sancionada a lei 11.340, conhecida como
Lei Maria da Penha. Mas que Lei é essa epor querecebeu esse nome?
A Lei Maria da Penha foi criada para coibir a violência
doméstica contra a mulher. O nome é uma homenagem à biofarmacêutica Maria da
Penha Maia Fernandes. Em maio de 1983, enquanto eladormia, seu então marido, o
professor universitário Marco AntonioHerredia Viveiros,simulando um assalto,
deu um tiro em suas costas. Maria da Penha ficou paraplégica. Após quatro meses
no hospital, ao voltar paracasa, nova tentativa de assassinato. Desta vez, o
marido tentou eletrocutá-la. Maria da Penha tinha 38 anos e três filhas, entre
2 e 6 anos de idade. Em 1998, passados 15 anos do crime, o agressor foi julgado
e condenado a 19 anos de prisão, mas usou de recursos jurídicos para protelar o
cumprimento da pena.O caso foi levado à Comissão Interamericana dos Direitos
Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 2001, que acatou, pela
primeira vez, a denúncia de um crime de violência doméstica. A Comissão
determinou que o Estado do Ceará pagasse uma indenização de US$ 20 mil a Maria
da Penha por não ter punido judicialmente seu marido. Após adiar o cumprimento
da sentença, o Estado decidiu finalmente ressarci-la, em valores corrigidos.
Após sete anos de batalha judicial, Maria da Penha Fernandes recebeu, em 2008,
uma indenização de R$ 60 mil. Essa mulher se tornou, então, símbolo da
luta contra a violência doméstica.
O
que é Violência doméstica e familiar segundo a Lei Maria da Penha?
De acordo com a Lei, configura-se
violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada
no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico
e dano moral ou patrimonial.
A violência pode ocorrer:
ü
No
âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente
de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente
agregadas;
ü
No
âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que
são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou
por vontade expressa;
ü Em
qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido
com a ofendida, independentemente de coabitação e de sua orientação sexual.
Como garantir o cumprimento da Lei
Maria da Penha?
É muito importante divulgar a Lei e seu conteúdo.
Pesquisa realizada este ano pelo Senado brasileiroaponta que 94% das mulheres
já ouviram falar da lei, entretanto, apenas 13% sabem do seu conteúdo, bem como
dos direitos que lhe amparam.
Em um país onde a cultura é
marcada fortemente pelo patriarcalismo e pelo machismo, e que ocupa o sétimo
lugar no ranking mundial dos países com mais crimes praticados contra as
mulheres, desconhecer a Lei pode ser fator de vida ou morte. Vejamos os dados:
§ 135 mil mulheres foram mortas violentamente no
Brasil entre os anos 1980 e 2011, quase a metade delas na última década.
§ De acordo com o registro de atendimento por
violências do Sistema Único de Saúde, em
2011 foram atendidas mais de 70 mil mulheres vítimas de violência física. Desse
total, 71,8% das agressões foram
cometidas em casa, e em 43,4% dos
casos o agressor era o parceiro atual ou oex parceiro da vítima, número que
chega a 70,6% quando observada apenas a
faixa de 30 a 39 anos de idade.
§ Estima-se, no Brasil, que a cada 12 segundos,
uma mulher é estuprada. Segundo o Ministério da Saúde, de 2009 a 2012, os
estupros notificados cresceram 157%; e somente entre janeiro e junho de 2012,
ao menos 5312 pessoas sofreram algum tipo de violência sexual.
Violência contra a mulher um problema de saúde
A violência contra a mulher é,
ainda, um problema de saúde global com proporções epidêmicas,
aponta um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em 20 de
junho de 2013.
A grande maioria
das mulheres sofre agressões e abusos de seus maridos ou namorados, além de ter
problemas de saúde comuns que incluem ossos quebrados, contusões, complicações
na gravidez, depressão e outras doenças mentais, diz o relatório.
"Esta é
uma realidade cotidiana para muitas, muitas mulheres", disse Charlotte
Watts, especialista em política de saúde na Escola de Higiene & Medicina
Tropical de Londres e uma dos autores do relatório.
O relatório
concluiu que quase dois quintos (38%) de todas as mulheres vítimas de homicídio
foram assassinadas por seus parceiros, e 42% das mulheres que foram vítimas de
violência física ou sexual por parte de um parceiro sofreram lesões como
consequência.
Vamos divulgar o 180
A Central de Atendimento à
Mulher – Ligue 180 orienta sobre direitos, presta escuta, acolhida e
informações sobre onde as mulheres podem recorrer, caso sofram algum tipo de
violência. O atendimento funciona 24h, todos os dias da semana, inclusive
finais de semana e feriados. São aceitas ligações de celular pré-pago mesmo sem
crédito/recarga.
Por um país menos
violento e mais respeitoso com suas mulheres, fica aqui o apelo: Lei Maria da
Penha — cumpra-se!
http://www.spm.gov.br(Secretaria
Especial das mulheres – Gov. Federal)
www.observatoriodegenero.gov.br(Dados
sobre o disque 180)
www.onu.org.br
(CampanhaUNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres)
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/06/violencia-contra-mulheres-causa-epidemia-global-de-saude-diz-oms.html(Pesquisa
realizada pela Organização Mundial da Saúde)
Movimento Fé, Justiça e Paz
Convite de Dom Gil Antônio Moreira para qualquer pessoa de bem para se unir ao Movimento Fé, Justiça e Paz: Mudança social, sim! Violência, não! Exclusão de Deus, jamais!
Pelo direito de fé. Estado laico não é um estado ateu. Pela democracia e contra a ditadura do relativismo e do ateísmo prático.
Clique ABAIXO e veja o vídeo no youtube:
Pelo direito de fé. Estado laico não é um estado ateu. Pela democracia e contra a ditadura do relativismo e do ateísmo prático.
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Recursos Humanos
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terça-feira, 6 de agosto de 2013
ESTATUTO DA JUVENTUDE
Dilma sanciona o Estatuto da Juventude
O Estatuto define os princípios e diretrizes para o fortalecimento e a organização das políticas de juventude, em âmbito Federal, estadual e municipal. Isso significa que as políticas tornam-se prerrogativas do Estado e não só dos governos.
O artigo que previa meia passagem em transporte interestadual para todos os estudantes com até 29 anos, independentemente da finalidade da viagem, foi retirado. No entanto, a presidente manteve a reserva de duas cadeiras gratuitas e de duas meia passagens para jovens de baixa renda em ônibus interestaduais, conforme ordem de chegada.
Meia-entrada
No texto foi mantida a meia-entrada em eventos culturais e esportivos de todo o país para estudante e jovens de baixa renda até o total de 40% dos ingressos disponíveis para o evento.
Veja a lei na íntegra, no seguinte link:
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
49º e 50º ENCONTROS DOS MISSIONÁRIOS LEIGOS DO DEUS UNO E TRINO - MISSIONÁRIAS SERVAS DO ESPÍRITO SANTO
49º e 50º ENCONTROS DOS MISSIONÁRIOS LEIGOS DO
DEUS UNO E TRINO - MISSIONÁRIAS SERVAS DO ESPÍRITO
SANTO
FALA, gente querida !
Como vão vocês ?
Ontem, domingo, 04/08, tivemos mais um agradável encontro dos(as) Missionários(as) Leigos(as) do Deus Uno e Trino do grupo de São Paulo.
Estivemos presentes eu, Fabrícia, Lídia, Maria José, Hélio e Raiano. A nossa irmã Ana Elídia não pode participar em razão de estar às vésperas de sua cirurgia no ombro, sendo que o nosso irmão Manoel estava com uma crise aguda de sinusite, razão pela qual também não esteve conosco. Que Deus lhes restabeleça a saúde o quanto antes !
Esse 49º encontro foi muito gostoso: falamos, rezamos e refletimos sobre JMJ - Rio 2013; Papa Francisco; encontro dos missionários leigos de toda a província, a ser realizado no Rio de Janeiro, em outubro deste ano; e também sobre nossa espiritualidade.
O amigo Raiano preparou um belíssimo cenário para o encontro, inclusive com itens trazidos de Jerusalém. A Lídia trouxe um gostoso bolo, sendo que os amigos Hélio e Maria José fizeram o feliz comunicado de que pretendem integrar o grupo permanentemente, inclusive tencionando participar do encontrão do Rio, acima citado. Ficamos todos muito animados com isso !
Além disso, tiramos algumas fotos, que podem ser vistas logo abaixo e também no seguinte endereço:
facebook: formaçaomissionaria ssps
O próximo encontro do grupo de São Paulo, 50º, será realizado no Convento Santíssima Trindade, localizado na Rua São Benedito, 2.146, em Santo Amaro; domingo, 08/09/13; às 15:00 horas.
Neste encontro, iremos dar continuidade ao estudo bíblico com o Roteiro 1 do livro "A Formação do Povo de Deus", que é o livro 2 da coleção "Tua Palavra é Vida". Para nos prepararmos, leremos as páginas 19 a 25, bem como os textos bíblicos correspondentes: Gênesis 2,4-3,25.
As funções ficaram distribuídas da seguinte forma:
- Preparação e mediação: Maria José.
- Ata do 49º encontro: Raiano.
- Ambiente: Vinicius.
- Textos correlatos: Fabrícia.
Esclareço ainda que já marcamos os encontros subsequentes, ambos às 15:00 horas, no convento:
- 03/11/13 e 01º/12/13. (Em outubro, não teremos encontro do grupo de São Paulo, pois nos reuniremos no Rio de Janeiro, para o encontro dos MLDUT de toda a nossa província).
Como sempre, aguardaremos com muito carinho todos
aqueles que puderem estar conosco.
"Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações
de todas as pessoas !"
Vinicius.
Vinicius.
Uma reflexão sobre a mulher na Igreja
Ivone Gebara
Adital
Diante da aclamação geral e da apreciação positiva da primeira visita do Papa Francisco ao Brasil por ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), qualquer ensaio crítico pode não ser bem-vindo. Mas, depois de tantos anos de luta "ai de mim se eu me calar!”. Por isso, vão aqui algumas poucas linhas e breves reflexões, só para partilhar algumas percepções a partir do lugar das mulheres.
Não quero comentar os discursos do papa Francisco e nem a alegria que muitos de nós tivemos ao sentir a simpatia, o carinho e a proximidade de Francisco. Não quero falar de algumas posições coerentes anunciadas em relação às estruturas da Cúria Romana. Quero apenas tecer dois breves comentários. O primeiro é em relação à entrevista do papa no avião de volta a Roma, quando perguntado sobre a ordenação das mulheres e respondeu que a questão estava fechada, portanto NÃO. E acrescentou que uma "teologia da mulher” precisava ser feita e que a Virgem Maria era superior aos apóstolos, portanto nada de almejar um lugar diferente para as mulheres.
O segundo comentário tem a ver com a identificação do novo catolicismo juvenil com certa tendência carismática muito em voga na Igreja Católica hoje. Isto deveria nos levar a perguntas bastante sérias para além de nossa sede de ter líderes inspirados que falem ao nosso coração e dispensem os discursos teológicos racionalistas e dogmáticos do passado.
Como pode o papa Francisco simplesmente ignorar a força do movimento feminista e sua expressão na teologia feminista católica há mais de três ou quatro décadas dependendo dos lugares? Espantou-me também o fato que tenha afirmado que poderíamos até ter mais espaços na pastoral, quando, na realidade, em todas as paróquias católicas, são as mulheres em sua maioria que levam adiante os muitos projetos missionários. Tenho consciência que essas palavras em relação às mulheres, poucas palavras sem dúvida, limitadas a uma viagem de volta a casa, não possam e não devam criar sombras a uma visita tão exitosa. Entretanto, são os tropeços que fazemos, os nossos atos falhos que revelam a face escondida, a face sombria que também está em nós. São esses pequenos atos que abrem as portas da reflexão para tentarmos ir um pouco mais adiante em relação às primeiras impressões.
A teologia feminista tem uma longa história em muitos países do mundo e uma longa e marginalizada história nas instituições católicas, sobretudo, latino-americanas. Publicações em Bíblia, Teologia, Liturgia, Ética, História da Igreja têm povoado as bibliotecas de muitas escolas de Teologia em diferentes países. Têm circulado igualmente em muitos ambientes leigos interessados pela novidade tão cheia de novos sentidos. E estes textos não são estudados nas principais faculdades de teologia, sobretudo, pelo futuro clero em formação e nos institutos de vida consagrada. A oficialidade da Igreja não lhes deu direito de cidadania porque a produção intelectual das mulheres continua sendo considerada inadequada para a racionalidade teológica masculina. E, além disso, se constitui em uma ameaça ao poder masculino vigente nas igrejas. A maioria não sabe o que existe como publicação e como formação alternativa organizada, assim como desconhece os paradigmas novos propostos por essas teologias plurais e contextuais. Desconhece sua força inclusiva e o apelo à responsabilidade histórica por nossos atos. A maioria dos homens de Igreja e dos fiéis continua vivendo como se a teologia fosse uma ciência eterna baseada em verdades eternas e ensinada prioritariamente por homens e, secundariamente, por mulheres segundo a ciência masculina estabelecida. Negam a historicidade dos textos, a contextualidade de posições e de razões. Desconhecem as novas filosofias que informam o pensamento teológico feminista, as hermenêuticas bíblicas e as novas aproximações éticas.
Papa Francisco, por favor, informe-se no Google sobre alguns aspectos da teologia feminista, pelo menos no mundo católico. Talvez seu possível interesse possa abrir a outros caminhos para perceberem o pluralismo de gênero na produção teológica!
Quanto a dizer, talvez em forma de consolo, que a Virgem Maria é maior do que os apóstolos é, mais uma vez, uma expressão da teologia masculina do consolo abstrato. Ama-se a Virgem distante e próxima da intimidade pessoal, mas não se escutam os clamores de mulheres de carne e osso. É mais fácil fazer poemas à Virgem e ajoelhar-se diante de sua imagem do que estar atentos ao que se passa com as mulheres nos muitos rincões de nosso mundo. Entretanto, se os homens querem afirmar a excelência da Virgem Maria terão que lutar para que os direitos das mulheres sejam respeitados através da extirpação das muitas formas de violência contra elas. Terão, inclusive, que estar atentos às instituições religiosas e aos conteúdos teológicos e morais veiculados que podem não apenas reforçar, mas gerar outras formas de violência contra as mulheres.
Temo que muitos fiéis e pastoralistas necessitados da figura do bom papa, do pai espiritual, do papa que ama a todos se rendam à simpática e amorosa figura de Francisco e reforcem um novo clericalismo masculino e uma nova forma de adulação do papado. O papa Ratzinger nos levou a uma crítica do clericalismo e da instituição papado através de suas posturas rígidas. Mas, agora com Francisco, parece que voltam nossos fantasmas do passado, agora adocicados com a singela e forte figura de um papa capaz de renunciar ao luxo dos palácios e aos privilégios de sua condição. Um papa que parece introduzir um novo rosto público a essa instituição que fez história e nem sempre uma bela história no passado. O momento exige prudência e uma crítica alerta, não para desautorizar o papa, mas para ajudá-lo a ser cada vez mais conosco, Igreja, uma Igreja plural e respeitosa de seus muitos rostos.
Meu segundo breve comentário é em relação à necessidade de identificar a maioria dos grupos de jovens presentes na Jornada e aclamando calorosamente o papa. Em que Evangelho e em que teologia estão sendo formados? De onde vêm eles? O que buscam? Não tenho respostas claras. Apenas suspeitas e intuições em relação à presença marcante de uma tendência mais carismática conservadora e mais celebrativa na linha Gospel. Manifestações de paixão pelo papa, de intenso e repentino amor que leva às lágrimas, a querer tocá-lo, a viver milagres repentinos, a dançar e agitar o corpo têm sido comuns também nos movimentos neopentecostais nas suas muitas manifestações. Sem querer fazer sociologia da religião, creio que sabemos que esses movimentos buscam uma estabilidade social para além das transformações políticas em vista do direito e da justiça para todos os cidadãos e cidadãs. Creio que correspondem, sem dúvida, ao momento atual que estamos vivendo e respondem a algumas necessidades imediatas do povo. Entretanto, há outro rosto do cristianismo que quase não pode se manifestar na Jornada. O cristianismo que ainda inspira a luta dos movimentos sociais por moradia, pela terra, pelos direitos LGBT, pelos direitos das mulheres, das crianças, dos idosos etc. O cristianismo das comunidades de base (CEBs), das iniciativas inspiradas pela Teologia da Libertação e pela teologia feminista da libertação. Estes, embora presentes, foram quase sufocados pela força daquilo que a imprensa queria fortalecer e, por conseguinte, era de seu interesse. Isso tudo nos convida ao pensamento.
Não faz uma semana que o papa viajou e já os jornais e as redes de televisão pouco falam dele. E o que acontece nas comunidades católicas depois dessa apoteose? Como vamos continuar nossas jornadas cotidianas?
Para além da visita do Papa e de uma possível nova forma do papado de Francisco, estamos sendo convidadas/os a pensar a vida, a pensar os rumos atuais de nossa história e a resgatar o que há de mais forte e precioso na tradição ética libertária dos Evangelhos. Não basta dizer que Jesus nos ama. É preciso que descubramos como nós nos amamos e o que estamos fazendo para crescer na construção de relações mais justas e solidárias.
Agosto 2013.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
E SOBRE O ABORTO, JOVENS...
Um passageiro
indesejado
Certa vez um
navio navegava tranquilamente quando foi surpreendido pelo ataque de corsários.
Inutilmente o capitão tentou opor resistência. Os piratas, armados e experimentados no saque, invadiram a embarcação e roubaram
tudo que lhes parecia valioso ou útil. Por fim, antes de partir,
resolveram deixar no navio uma carga "inútil", um menino
que haviam capturado na última pilhagem na esperança frustrada de obterem algum dinheiro como preço de resgate.
Atiraram violentamente a criança no convés e saíram rindo zombeteiramente.
O capitão, tremendamente abalado pelo ataque que sofrera, ordenou aos marinheiros
que fizessem uma limpeza completa, a fim de que nenhum vestígio restasse
da invasão dos piratas.
E para que não ficasse a mais leve lembrança do triste episódio,
determinou que o menino fosse lançado ao mar.
A decisão surpreendeu os marinheiros, que argumentaram ser a criança inocente e
necessitada de apoio. O capitão replicou, porém, que a simples presença da criança lhe era molesta, uma vez que havia entrado sem permissão e como fruto
de uma violência. Além disso,
acrescentou, como dono do navio ele tinha o direito de dispor dos passageiros e
da tripulação. Conservar
ou não o menino era
uma decisão que cabia
exclusivamente a ele. Os súditos argüiram que o menino não era uma parte do navio sobre o qual o capitão tinha poder,
mas um ser humano digno de respeito. Além disso, acrescentaram, seria
demais levar a criança até o próximo porto e
deixá-la em terra
firme sob o cuidado de alguma família? O comandante, no entanto, foi
inflexível em sua
decisão. Como os
tripulantes hesitassem em cumprir sua ordem, ele próprio, irado,
agarrou a criança e atirou-a ao mar. No meio das ondas e sem saber nadar, ela logo foi
tragada pelas águas e afogou-se.
Espero que não apenas os marinheiros, mas também o leitor reprove a atitude do
capitão, que quis
descarregar sobre o menino a cólera contra os corsários. Pois esta atitude é defendida pelos que apóiam o direito de a mulher abortar quando a gravidez resulta de um
estupro. A argumentação é análoga: ela é dona do seu
corpo e pode dispor da vida ou da morte da criança. A simples presença da criança, fruto de
uma violência,
causa-lhe repulsa. E ela não é obrigada a
carregar um filho que foi gerado contra a sua vontade. A mulher tem portanto o
direito de livrar-se dele antes de dá-lo à luz. A "solução" para a
violência sofrida
seria uma nova violência, maior que a primeira, e praticada contra alguém
absolutamente inocente, que apenas desejaria o direito de nascer e pôr os pés em terra
firme.
Luiz Carlos Lodi
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